É que tem dias que eu tenho saudade. Saudade pura. Sem sinônimos, sem complementos, sem presença. É que tem dias que eu me permito a sentir-me só, a estar ausente e alheia de todos os outros. Outros abraços, outros beijos e até outros adeuses. É que tem dias que eu me distancio de mim pra estar em um lugar já dissolvido, esquecido. Primazia contínua de quem já não é primaz ao que sente saudades. É que tem dias que os dias não são dias, é só passado passado a limpo, e versos mal escritos numa folha de papel esquecida, cheia de sentimentos esvaziados por sentidos ausentes.
22 de janeiro de 2012
19 de janeiro de 2012
Na contramão de mãos alheias
Na invasão de tuas palavras, senti mais uma vez meus sentidos abalados, assim como me abala as manchetes já repetidas. Na confusão destas suas linhas, tão fundas como um pires, eu senti teu descontentamento em entender o que já foi dito tantas vezes. Pelo jeito, o que falta aí é sentir. Tornar o dito pelo não dito e procurar tuas próprias verdades, não as que já estão em linhas de outrém. Cá pra nós, não te enganes com palavras, elas são apenas espelhos quebrados de sombras pretéritas. Vá, de fato, na contramão de mãos alheias!
13 de janeiro de 2012
Umbigada
Se pra você minha realidade
é
MEU
umbigo,
Já nem me importo mais!
Esta também é a realidade
De muitos umbigos e ais.
Umbigos rasos de olhos fundos
Umbigos sujos de pratos limpos
Umbigos cheios de bocas vazias
Se minha realidade é meu umbigo,
Sim, agora eu me importo,
Pois também procuro um abrigo:
Nos tantos umbigos sem ar
Nos tantos ares sem mares
E , quem sabe, nos umbigos sem pesares.
Apesar de todo umbigo,
Minha realidade é meu umbigo.
é
MEU
umbigo,
Já nem me importo mais!
Esta também é a realidade
De muitos umbigos e ais.
Umbigos rasos de olhos fundos
Umbigos sujos de pratos limpos
Umbigos cheios de bocas vazias
Se minha realidade é meu umbigo,
Sim, agora eu me importo,
Pois também procuro um abrigo:
Nos tantos umbigos sem ar
Nos tantos ares sem mares
E , quem sabe, nos umbigos sem pesares.
Apesar de todo umbigo,
Minha realidade é meu umbigo.
Método sem logia
Eu preciso de um método.
Medido. Metrificado.
Cada passo em seu espaço
E cada pasmo milimetrado.
Eu preciso de um método.
Quadrado.
Mas também pode ser triângular.
Balança concisa de um corpo
(ainda)
IrReGulaR.
Eu preciso de um método.
Calado. Invisível.
Feito pedra que não fura
E fruta que logo se amadura
Eu preciso de um método
Derrubado. Atual.
Sem metodologia
Ou orgia gramatical.
Eu preciso de um método.
Onde ninguém se meta
a metido da metalinguagem
intelectual.
Eu (não) preciso de um método.
Medido. Metrificado.
Cada passo em seu espaço
E cada pasmo milimetrado.
Eu preciso de um método.
Quadrado.
Mas também pode ser triângular.
Balança concisa de um corpo
(ainda)
IrReGulaR.
Eu preciso de um método.
Calado. Invisível.
Feito pedra que não fura
E fruta que logo se amadura
Eu preciso de um método
Derrubado. Atual.
Sem metodologia
Ou orgia gramatical.
Eu preciso de um método.
Onde ninguém se meta
a metido da metalinguagem
intelectual.
Eu (não) preciso de um método.
10 de janeiro de 2012
El laberinto de la soledad
Depois de nascer e morrer, não há nada mais solitário que o ato de escrever. É tu e tu mesmo!
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8 de janeiro de 2012
Moinho de mim
Abraço dado ao ar gelado
Se vai com o tempo
O mar salgado
Cria vela
Vela o morto.
Na madrugada de pedra dada
Tapa-se a lua com a peneira
Pra ver mais uma vez
Que eclipse lunar
Em costa alta
Faz olhar puro virar penumbra.
E braço e perna vão se embora
Como tudo que demora
Numa rua cochilando
De zóio aberto caindo aos pranto
“Dia desses eu passo lá
Dou um abraço no pai, nas vizinha e tudo mais
Dia desses eu volto aqui,
Vejo ocê, pego minhas coisa e vou sumi”
E depois de abraçar o mundo
Volto sempre pro moinho.
De pedra. De escárnioo.
Moinho de mim...
Moído.
Ardido em chamas de fumaça
caídas naquela praça de desgraça!
caídas naquela praça de desgraça!
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