11 de junho de 2012

Dos intervalos


Tem horas que eu quero Tudo pra mim. E esse Tudo inclui os vazios que formam todo esse Todo. E não admito estar ausente entre um vazio e outro. Os intervalos me dão medo, confesso.  Mas também me encantam. Pois cantam aqueles silêncios despercebidos. Os que, ainda, estão aos pés do ouvido. Quem sabe, um dia, consigam chegar até aos olhos do coração.  

Eu sou uma AMADORA

AMADORA
AMA
AMAr
     A
       DOR que
     ADORA



Dos riscos



Me arrisco a dizer
Que este risco é
Arriscado demais para se riscar assim,
Tão subitamente
Em mim.

Se risco, arriscado
Também estou.

Se me arrisco
Risco pra
Você
Eu também dou.

Veja só
Era só um risco
Mas um poema virou! 

10 de junho de 2012

Cuidado com o tempo


Ela entrou vagarosamente em meu quarto. Meio à espreita parou na porta. Olhou fixamente para a janela e disse “Cuidado com o tempo”. Partiu. Foi para a cozinha, onde o tempo nunca para, sempre se mexe entre uma colher e outra dentro da panela. Enquanto em meu quarto, o tempo era vagaroso, pois sempre estava à espera. Talvez, de algum passarinho bicando na janela, com seu canto indecifrável. Ou então, do toque de uma brisa fria ou quente, mas que fosse boa.

E essa espera era ao mesmo tempo uma espera de mim, de se saber onde um Eu começava até o Outro chegar. Uma necessidade de saber até aonde minhas pernas podiam alcançar. O que queria era alcançar um céu, mesmo sem borboletas. Mas o que queria mesmo era sentir borboletas.



Fechou as janelas que ainda estavam abertas. Não estava pronta para os passarinhos, brisas ou qualquer coisa que adentra sem pedir licença. Foi caminhando até a cozinha e lá encontrou, mais uma vez, um tempo em ebulição. Colocou-se em volta da mesa retangular e quis, pela primeira vez, que esta fosse um grande círculo. Sentiu-se à vontade para ter vontades estranhas. De correr em volta da mesa e pedir uma colher, só uma colher, daquele tempo que parecia não voltar.

E se lembrou das prosas ao fim do dia. Das histórias em dias de chuva. E da vela pra Santa Bárbara que fez um raio pairar no ar. Enquanto isso, o tempo se sublimava pela fresta do vitrô. E percebeu que naquele canto da casa tudo tinha consistência. Tudo se formava e se deformava no espaço, com um começo, um meio, mas nunca um fim. Quando parecia acabar, logo se transmutava em algo muito além daquilo que era, e tomava novos rumos, novos céus, que excediam as velhas telhas de brasilit.

Foi aí que ela percebeu que não importa quão redonda é a roda, o que importa é você estar em movimento. Deixar as janelas abertas, para que as coisas todas possam entrar e sair quando bem entendem, para que saibam que o teto que as envolve é só o primeiro degrau de uma escala maior ainda.

Nesse dia, o feijão ficou pronto às 13h. A chuva começou a pingar. A janela do quarto foi aberta e toda a ebulição do outro lado da casa se voltou para aquele fechado. Se ela soubesse do movimento do tempo à tempo, teria deixado os caminhos abertos bem antes. Porém, é preciso cuidar do tempo, para não perdê-lo de vista. Às vezes, ele está bem ali, na cozinha ao lado. 

22 de maio de 2012

Um pires

São tantas informações. Nenhum detalhe. São tantos detalhes. E tão pouca informação. É um diz que me diz. É um faça, digite, telefone, fale, ouça, preste atenção. E eu já não consigo prestar mais nada. Prestar para nada.

7 de maio de 2012

Eu quero Lua Cheia

Migalhas minguam com a ida da Lua
E eu...Ah! Eu quero Lua Cheia.
Exijo gente inteira.
Mentiras sinceras me interessam, sim!
Mas raspas e restos, definitivamente, não! 

1 de maio de 2012

Deu samba? Joga no gol!


Samba e futebol são duas das coisas mais democráticas no Brasil. Neste momento, estão fazendo um "batuque" em um boteco perto de casa, usando balde, bacia e afins. Enquanto isso, meninos batem uma bola no "campo de asfalto". As marcações dos gols são feitas com chinelo havaiana. Improviso, você vê na perifa!


E sempre foi assim, desde os tempos da carochinha, como dizia meu falecido avô. Lembro que naquela época, a molecada toda vinha na minha casa pra jogar uma bola. O quintal nem era tão grande assim, mas dava bem pra fazer umas cinco partidas e ainda sair umas brigas, claro. Mas a Vó não gostava nada disso. " É barulhento demais", dizia, e um dia despachou toda a molecada pra casa. Foi então que eles  notaram que a "Rua A" era bem maior que nosso quintal. Hoje, parte desses meninos já estão casados, são pais de família, trabalhadores e coisas mais de gente crescida. De vez em quando, ainda os vejo na pelada com a garotada da nova geração, uns dez anos mais novos. Mas, no geral, trocaram o bate bola por uma breja na esquina, com direito a samba  feito de balde ou no banquinho de madeira. O tempo passa, as gerações se reformulam, mas o bom e velho improviso continua sendo a felicidade do povão. 


Viva o samba, o futebol e o feijão com arroz de cada dia. Amém.