10 de setembro de 2012

De Blues, Deus, Diabo e Lilith na terra do sol


Eu podia fazer um blues da Rua Téo
Das saídas inconstantes
E dos pequenos grandes amantes
Eu podia mesmo é pedir o seu tel.

Entre um almoço e outro,
Eu fico com as estrofes
Cortadas ao meio.
Entre uma música e duas cantadas,
Escolho os segredos que ficaram de escanteio.

Seu rock ‘n roll ou blá blá blá
Não impressionam mais que
O canto daquela sala de estar.

Café amargo eu não aceito
Tu sabe,
Não gosto de copo vazio meio cheio
E naquele Apê sem ar, 
Quero tudo: membros, olhos e cheiros.
Sem promessas, só novo lugar!


E, de repente, Deus e o Diabo
Se fez um só naquela terra do Sol
Se sou Lilith ou Maria Madalena
O que importa é nosso "SI" bemol.

"Sol aumentado pra brilhar mais",
há quem diga!
Mas eu prefiro sóis diminutos...
São mais confidenciais!


Mas,
Cá pra nós, não precisa fugir
Eu não tiro pedaço antes de engolir! 

8 de setembro de 2012

Eu quero é sambar!


A verdade é que, volta e meia, eu preciso de um samba. Pra alegrar a alma, levantar o espírito e diminuir a carga pesada do corpo. Eu não sei te dizer muito sobre o samba, sambistas e os ritmos dos ritmos. Mas, sabe uma coisa? O tambor, aquela batucada toda, a forma de mexer o corpo, me faz bem. Me (e)leva a alguma coisa que, aí, eu já nem preciso mais de explicação. Só me deixo levar. Me jogo na roda e vou! Eu preciso de alguém que, de fato, me ensine a sambar! Eu preciso de um samba já!

23 de agosto de 2012

Er(R)a uma vez uma outra vez

Era uma vez uma outra vez. Uma nova chance de contar uma velha história. Era uma vez um jogo sem blefes. E uns blefes sem chagas. Era uma vez alguém que er(R)a, mas mesmo assim continua sendo.

18 de agosto de 2012

É hora de (des)aguar (n)o aguado


Sinto que não caibo mais em mim. Assim como é o rio, que encontra águas salgadas, eu também preciso desaguar. Não sei. De repente, tudo ficou tão aguado. Os sonhos aconteceram. E, agora, eu já não sei seguir sem eles. Sinto-me pra dentro de mim. Lá no canto do útero. Apenas intro da expectativa. Uma gema de ovo no meio da clara clara. Pra mim, tão escura, submersa a redomas de outrem (ou de mim). Acho que é tempo de plantar de novo (com grão novo). É hora de ampliar o que ficou grande e de mastigar até mesmo as migalhas. Quando o verbo se faz carne, o que nos resta é engoli-lo. Esperar a digestão e se alimentar do que sobrou.

A gente não percebe, mas vivemos, eternamente, dos restos. Vivemos do pouco que fica de tudo que somos, comemos e vivemos.  Vivemos? (Nossa! De repente vejo que a prosa se assemelha com aquela de cinco anos atrás). É quase uma crise adolescente. A puberdade tem validade? Estou indo embora daquela que já fui. Confesso, às vezes tenho saudades de Deus. Me pego, à noite, pensando no tempo em que eu pedia proteção. Até tento voltar. Mas paro no meio do escuro e esbarro nos meus livros na estante, derrubando-me mais uma vez em meu sonambulismo (in)consciente. Fui derrubada de todos os lados. Os muros caíram. As resistências se transformaram em existência. Ou, então, lutas existenciais. Eis a entrada na vida adulta, ou, adulterada.

Tenho necessidade de estar mais próximo de mim. MiM é só MIM, mesmo lendo de trás pra frente.  MIM não é nada além do que isso que sou. E por que devo usar EU? Usar um EU? Ser um EU? Ser? EU logo vira UÉ, mostrando toda a nossa contradição. Palavras repetidas sempre formam alguma frase bonita. Tentei buscar rebuscar esse texto, deparei-me com outra palavra: REBUSCAR. Buscar novamente. A vida é sempre rebuscada, então. E essas letras todas começam a se misturar com as linhas finas, e as linhas finas? Ah! Eu não agüento mais as linhas finas, os “olhos” no meio das páginas e as aspas cortadas pela metade. Desculpe o auê! 

17 de agosto de 2012

É preciso seguir o ritmo da chuva


Uma gota. Duas. Três. Passa-se uma vida inteira para entender que a chuva não é à toa. Ela chega meio de canto, estuda o ambiente e aí, sim, despenca. Mas é difícil entender esse movimento todo, já que uma vez humanos, acabamos nos esquecendo que somos natureza. E moldamos o tempo. Sucatemos o espaço.  Mas é preciso forçar-se a voltar a ser natural. Deixar-se fluir, mesmo quando há redemoinhos impedindo a passagem. Caso eles apareçam, lembre-se que são eventuais. Agora, o ritmo da chuva - ao que parece - repete-se muito mais vezes. Mas a maioria de nós, não obedece a lei natural da própria natureza. Não adianta ser tempestade, quando se é tempo de garoa. Não adianta liquidar todas as nuvens e depois minguar com a vinda de novos sóis. Prefiro chuva fina que muito dure, do que tempestade que cause estrago. É preciso seguir o ritmo da chuva. 

6 de agosto de 2012

Dos cheios de vazio

Eu tinha me esquecido dos ecos do metrô. Tão dolorido quanto o silêncio de quem nele vai. A máquina é só o efeito dos sentidos dos que a conduzem, alimentam e ocupam. Muitas vezes, um corpo com espírito é muito mais mecânico que um grande esqueleto de ferro bruto. Às vezes, alguns olhares voam longe. Mas basta um pestanejar e tudo, outra vez, torna-se vazio. Mesmo estando tão completo. Tão perto. Tão sufocado.

E o grito estridente arranha ou ouvidos. Mas, ao que se nota, isso é apenas a vontade de sair voando, quando só se pode rastejar.

O que vejo de minha janela? Nada. Mas o nada me conforta, quando as portas se abrem e um nova escada se apresenta diante de mim. São tempos de subidas cada vez mais íngremes. Ora se está abaixo do baixo, ora, abaixo de mim. E aí, já não sei se volto ou se vôo.


5 de agosto de 2012

Com forma de coração

A verdade é que eu não quero só um pedaço de doce, eu quero é uma fôrma inteira de coração.