13 de dezembro de 2013

Entre nós, só laços

E, em meio ao caminho, a calçada estava quebrada. De um dia pro outro, ela se desmoronou. Virou terra outra vez, até nascer uma flor, que logo será morta por um tanto de concreto. E aquele estreito bar, já não existe mais. Ficou lá o primeiro olhar, o primeiro toque, o primeiro beijo. Mas, calma! Eis que a calçada de nossos caminhos pode, uma vez mais, se refazer e aquele bar se reabrir. Não será mais a mesma calçada, não serão mais os mesmos os donos de bar, não será mais o mesmo rio e muito menos os mesmos sapatos. Seremos outros. Renasceremos outros, mas seremos nós e, quem sabe, perceberemos que o que precisamos mesmo são de laços, não nós.

Saudade poética

Quanta saudade cabe em uma poesia, quando só se cabe poesia nessa saudade?

Apartheid-te

Apartheid-te, coração. Deixai de lado o que é só um lado. Abandonai os versos pretéritos e as sílabas deixadas no largo lago da memória. Apartheid-te, coração. Esquece a aura, a náusea, a vertigem. E te concentra na ação, não na cor, coração. Apartheid-te, coração. Separa o joio do trigo, a luva da mão, o sentido do verso, o olhar da atração. Apartheid-te, coração, que o outro lado da lua também já se apartou. Apartheid-te, coração.

Umbilical

Os exteriores passam, mas os interiores permanecem como a língua materna da gente.

pseudo-hai-kai

Estourei em miniaturas
uma imensidão

de ideias em vão

(Re)ações adversas

Fotos. Fotos. Milhões de fotos escorrendo pelos olhos. Milhões de palavras. palavras. palavras. Repetições. Poucas ações. Quem se é. Quem se foi. Quem iremos ser. Ter. Ter. Um coração bate choroso. Nesses dias, os olhos sempre deixam escapar umas águas sem jeito. E, de repente, lá estamos nós, outra vez, rodeados de urubus sentados no cume de uma árvore, na beira de uma estrada de ferro enferrujada. E quantas palavras. Não dizemos, não conseguimos exprimir. Espremer. Se mexer. Me aperto, me soco entre muitos socos de quem me soca e pede desculpas. Um tanto de histórias ficaram na rua de trás do saguão, do balcão, do vão que separa um plataforma da outra.

Concreto amor

te amo na realidade dos meus dias
infernais, alto astrais
te amo no chão que se faz de concreto, misturado aos meus pensamentos

surreais