5 de março de 2014

Relíquias

São rastros de relíquias misturadas ao tempo que sobrou dos meteoros
Eu sentada naquela escada,
Achando que  ela, Lua, lá
Que ia embora,
Enquanto era eu que me movia,

Sem saber quais passos dar! 

22 de dezembro de 2013

Dos amores platônicos, os melhores foram os aristotélicos

Dos amores platônicos, ficou com os aristotélicos. Cansou de devanear sobre as cartas, fotos ou sorrisos nas entrelinhas. Queria mesmo era história completa. Com versos, traços e infinitas versões.

13 de dezembro de 2013

Transcendental

Amor de prosa fica, mas amor de poesia é transcendental.

Verbetempo

De tempo em tempo, uma nova palavra se faz viva nesse curto vocabulário. E, assim, ela vai aparecendo em cada pequena frase ou grande poema. A da vez é o tempo e todo o peso que esse verbete traz. Tempo de ir. Tempo de vir. Tempo de ficar. Tempo de estar. Tempo de mim no tempo. Tempo de ter tempo mesmo sem tempo.

Uma carta cheia de nós

Eu sempre quis. Projetei. Fiz sonhos e idealizei. EU deixou de ser apenas o pronome pessoal de um caso reto para se tornar também o nós de um caso oblíquo, mas cheio de certezas. Já nem quero dizer “Eu te amo”, se é NÓS que nos amamos. Se é nós que vamos correr por entre veias e células esse amor. Não sou apenas eu. Sou também tu. Com todo teu corpo e espírito, entrelaçando-se e se dissolvendo por entre o meu, o nosso. E seus olhos dizendo, a boca já dissolvendo a luxúria dos meus sentidos todos. E tudo sem aquela sensação de jogo vencido e acabado. Tudo com o ritmo de seu tempo soando e suando em meus poros. Movimento de notas musicais em uma escala infinita, de um amor também sem fim. (De um momento escorrendo por entre as pernas). Um toque harmonioso como é a formação das tríades maiores. Tão fartas, assim como tem sido meu amor por você.

Banho-maria

A primeira vez, ela cozinhou em banho-maria. A segunda, deixou queimar. A terceira, esqueceu-se até mesmo das cinzas. Abandonou os copos, os pratos e tudo que já não lhe descia goela a baixo. Naquele dia, já não havia mais indigestão.

Debaixo do tapete

Tentei fazer com que a poeira do tempo sucumbisse por debaixo do tapete da minha memória. Mas bastava esbarrar com a mente nesse chão, que eu logo recordava que ali tinha muito mais que chão, muito mais que tapete. Ali na verdade sucumbia um coração.