isso vai, assim, sem que precisemos dizer
palavra
transborda sobre aquilo que éramos até
passado pretérito imperfeito
presente pulsante de nós
laços avulsos abertos
29 de março de 2016
as coisas findas
é triste. é triste e bonito. é triste e bonito ao mesmo tempo, tudo que é triste, tudo que se esvai sem dizer que já foi. mas há beleza nas coisas findas, sempre há, há de ter.
pretéritos imperfeitos
Não guardo palavra, não. Faço vivo todos os pretéritos imperfeitos de mim. E faço poesia, enquanto o mundo cai . O coração não para de bater
casa alargada
De repente, tudo na casa se alargou. Os cômodos se transmutaram. Eram galpões cheios de vazio. E o silêncio - o silêncio alargava tudo - só não o estreito aperto do sim-não que reinava a sala naquela tarde. Não havia um canto da casa, nem grito, nem tom, que o coração não se estreitasse. Só havia a casa agora, tentando se sustentar em suas velhas vigas, coberta por suas velhas telhas, no seu velho quintal.
Prazo de validade
Mas que coisa, essa vida é um misterioso causo de prazo de validade. A gente já nasce sabendo que vai acabar. E, com medo de se acabar na gente mesmo, é que nos eternizamos nos outros. Sempre na esperança de deixar o que é fim, aqui, um começo lá. E demos adeus ao que aos deuses já pertencia. Cantamos nossos ritos, evocamos nossos eus em nossos rituais. E, descobrimos, aí, que somos todos formados de partidas particularizadas dentro de cada ida que fica em nós feito saudade. Eu sou a filha da falta, me lembrando a cada tempo que a música só se faz viva por ser movimento e pausa. Vírgula e palavra corrida. Sonho e despertar. Depois de um grande hiato, você descobre que é preciso deixar espaçar, pra, então, poder preencher.
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